domingo, 19 de abril de 2020

A SÍNDROME DO PÂNICO X QUARENTENA

E, depois de tantos dias sem aparecer por aqui, voltei.! Num período de quarentena não têm como não entrarmos em contato com os nossos fantasmas, e por conseguinte entramos em contato com os fantasmas dos outros também. Empatia? compartilhamento de fantasmas? Sei lá!!!
Só sei que esse é o momento onde cada um, dentro de um mesmo espaço, tenta dar conta dos seus medos, dos seus anseios e com a soma dos dois que juntos, isso pode se transformar num caos.

Imagina que para quem lida com a batalha diária de dar conta da ansiedade geradora do pânico, que a toda hora gera em nós sintomas internos além da conta, nesse momento temos que dar conta também dos sintomas externos. O que posso dizer é que tudo que eu sempre fiz para vencer as minhas batalhas internas, hoje nem consigo fazer para dar conta das externas. Rotina? não exite mais. Yoga? em casa não consigo fazer. Disciplina? me vejo perguntando para quê? Enfim... agora para mim é um momento de reconstrução. Cada dia de cada vez, literalmente. Essa é a forma que estou usando para ser capaz de lidar com um turbilhão de sentimentos, de emoções que ecoam para todos os lados. E, me vejo com orgulho triunfando nos meus caminhos desordenados. 

Trouxe para casa um pedacinho do meu ateliê e a cada dia "quando dá vontade", crio minhas peças. Algumas tantas já foram criadas e batizadas por uma amiga de "coleção quarentena". Hoje minhas hastegs são: #quarentenainspiradora, #quarentenasustentável #fiqueemcasa. Como faço tudo dentro da minha pequena empresa, estou aproveitando para aprimorar alguns conhecimentos e para aprender outros, fazendo alguns mini cursos online gratuitos,  participando de palestras e talks. Tudo é válido para mudar o foco de um corpo que fala pelos cotovelos. kkkkk

Hoje, não existe rotina para mim, e não me cobro isso. Trancada dentro de um apartamento, respeitando a quarentena, como deve ser, não preciso de horários para nada. E nem os dias da semana já não importam mais. Reparei que o tempo hoje passa a ter um novo significado. Todo dia pode ser segunda, todo dia pode ser sábado, todo dia pode ser sexta. Não assisto TV como antes. 

Meu tempo hoje está dividido entre falar com os amigos, família e afetos pelo whatsApp, pelo zoom, pelo messenger, por qualquer canal que me permita entrar em contato com as pessoas que amo; criar novas peças para quando tudo voltar à um  "novo normal" ( nada será como antes, e gosto disso. Acho que gosto dessa mudança que acredito, acontecerá para algumas pessoas desse mundão aí afora); leio livros que antes estavam guardados em prateleiras; tomo uma cerveja gelada sentada numa cadeira de praia e olhando para minha praça e todo o verde que traz consigo; planejo minhas novas conquistas - sou uma sonhadora nata; e aprendo uma nova lição - aprendo a conviver (depois de 33 anos morando sozinha, hoje compartilho minha vida com pessoas que amo, mas que não faziam parte do meu acordar e do meu dormir.) E, posso dizer: Isso é uma revolução. Ou será Evolução?  Não sei ainda, e como já disse, não me cobro mais nada. Um dia eu descubro. Só sei que gosto disso.😀

A cada dia me cobro cada vez menos, e isso foi um dos aprendizados que a síndrome do pânico trouxe para mim.  Autoconhecimento também. Um olhar mais afetuoso para mim mesma. A arte. A criatividade. A fé. A beleza hoje para mim também têm um novo significado. Um novo olhar sobre tudo que já foi visto antes. Nossa!!! Muita coisa mudou. 🙏


  
Um pedacinho da minha praça para vocês.! 
                                                                                    Um pedacinho da minha arte.







segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

VOLTANDO PARA CASA

Novo ano começando, novas coisas para contar. Durante todo este período que estive ausente daqui, fui divulgar a minha história em outras mídias.  É verdade, cada vez que abro o Facebook vejo uma quantidade imensa de reportagens falando sobre Depressão, ansiedade e pânico. Incrível como se alastra feito rastilho de pólvora essas doenças da alma.

Penso no quanto o mundo está girando numa velocidade que não estamos dando conta. Tantas informações, tantas coisas para fazermos, tantas cobranças internas e externas, que já não sei mais aonde vamos parar.  Conto e reconto de forma incansável a minha história porque sei o que cada uma de nós sente quando entra nessa malfadada crise de ansiedade. Confesso que me sinto vitoriosa por ter conseguido aprender tantas coisas sobre ela. Ela, que me acompanha  há mais de 15 anos.  Convivemos hoje com mais harmonia e respeito, mas sinto que ela fica de espreita, esperando que eu dê um "mole", para cair de sola novamente. Então, já sabendo disso, me aprimoro a cada dia em busca de um olhar mais atento para mim mesma.

Já disse isso em posts anteriores, mas vou dizer novamente, porque acredito muito nisso. Não adianta só medicamento e terapia. Para alimentar nossa alma precisamos de sonhos, de cores, de sol, e de ARTE. A arte traz a leveza que precisamos para encararmos  a enxurrada de sintomas que a ansiedade nos traz.

Portanto, vamos brincar! Vamos colorir as nossas dores com as cores que pudermos encontrar dentro da gente.

Vou colar aqui alguns links de reportagens aonde consegui divulgar um pouco mais a minha história.

https://revistamarieclaire.globo.com/EuLeitora/noticia/2019/12/por-indicacao-medica-comecei-fazer-bijuteria-e-hoje-tenho-uma-marca-de-sucesso.html

https://www.empreenderdepoisdos30.com/2020/01/trabalho-manual-para-transformar-dores-em-cores.html?m=1


FELIZ ANO NOVO! Começamos uma nova jornada, que seja leve e feliz!!!

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA PEDRA


Essa semana li um livro muito interessante chamado "O Velho e o Menino". É um livro que fala sobre a descoberta do propósito. Não considerei como um livro de autoajuda, mas como uma leitura que me levou a diversas reflexões sobre uma nova perspectiva para avaliação do meu propósito de vida (profissional, pessoal, emocional).Você já parou para pensar sobre o que te motiva pela manhã, ao acordar? O que te faz "sair para a vida" todos os dias? Isso te faz feliz? Pois é, pensei sobre essas coisas e cheguei a conclusão que a Gratidão é um bom sentimento, e ele me representa todos os dias pela manhã. Porque sou grata pela oportunidade que tenho de a cada dia aprender muito mais sobre mim mesma. Sobre meus anseios, meus sentimentos, meus sonhos, meus desejos e meu propósito. Sou grata pela VIDA.De todos os momentos vividos no meu dia a dia procuro sempre ter um olhar otimista, porque sempre lembro de uma frase de um grande amigo - tá ruim? lembre-se de que poderia estar pior. Isso me serve como um estímulo para sempre buscar o melhor de todas as situações.

Da síndrome do pânico tirei do fundo da minha alma a criatividade, as cores, o respeito aos meus limites, a benevolência para comigo mesma, a percepção de que a melhor forma de lidar com o medo é andar de mãos dadas com ele, um olhar mais atento para o outro, a certeza de que posso vencer desafios, a certeza de que a maior coragem na verdade, é a coragem de olhar para dentro de si mesmo. Fácil?? Claro que não!! Mais sei que posso encontrar todos os dias, como se fossem milagres, elementos que me ajudam a ultrapassar as barreiras que surgem no caminho. Com as pedras??? Faço pingentes para os colares que amo usar. 
Porque outra coisa que a síndrome do Pânico trouxe para a minha vida foi a possibilidade de trabalhar a criatividade criando peças de bijuterias sustentáveis, coloridas, que encantam e enfeitam centenas de mulheres por aí afora. @feitoporgita retrata a minha história. Fala de mim e dos meus sonhos. Mostra as cores que encantam a minha vida e aquieta a minha alma.


E você? o que você faz com as pedras que surgem nos seus caminhos? 

Colar cachoeira








quarta-feira, 14 de agosto de 2019

PENSANDO SOBRE GATILHOS EMOCIONAIS


Sempre que me deparo numa crise de ansiedade, agora não mais em crise de pânico, me vejo pensando sobre qual foi o gatilho. O quê ou qual emoção me levou até ela? Visito meus armários internos, abro as gavetas e vou à procura do que poderia ter desencadeado tal situação. Dá trabalho? sim! dá trabalho. Mas, ou eu faço isso, e consigo me sentir segura para dar conta, ou estarei sempre a mercê dela. Da tal ansiedade que chega e sem bater à porta, acha que pode invadir a minha casa - o meu corpo. Já pararam para pensar que o seu corpo, é como a sua casa? Para ir à sua casa você convida qualquer pessoa? Eu não! Convido pessoas que eu gosto, que eu me identifico, que eu me sinto a vontade, pessoas que me fazem rir, que me dão prazer estar em sua companhia, pessoas que eu amo. Então, decidi que com o meu corpo vou fazer o que faço com a minha casa (é bem verdade que ainda tenho algumas dificuldades, pois só deveria deixar entrar alimentos que me fazem bem, mas o pecado da gula ainda não me permite isso rsrsrs), mais com relação as emoções eu estou mais criteriosa. Estou mais atenta. Por isso, presto mais atenção nos tais gatilhos que me levam às crises de ansiedade. 
Curiosa, fui pesquisar no Google a palavra gatilho. Encontrei "gatilhos mentais" ( estímulos recebidos pelo nosso cérebro que influenciam diretamente a nossa tomada de decisão), e "gatilhos emocionais" ( são criados após experiências negativas. Podem desencadear emoções negativas e reações inconscientes, que podem nos causa pânico e "surtos". A diferença entre as duas definições é que os gatilhos mentais podem ser utilizados como uma poderosa arma de persuasão e geração de resultados para marketing, vendas...,e os gatilhos emocionais são uma poderosa ferramenta de acúmulo de emoções negativas guardadas dentro da gente. Então fiquei pensando, porque não transformar os meus gatilhos emocionais numa poderosa ferramenta de autoconhecimento e aprendizagem? 
Se eu acredito que a vida tem o peso que nós damos a ela, então eu posso transformar a minha vida numa jornada mais leve, mais amena, mais alegre, e mais criativa. E, nesse quesito a terapia é de fundamental importância. Conhecer e Re-conhecer os meus gatilhos emocionais está sendo uma tremenda experiência. É um grande desafio. Mas, eu gosto de desafios. Viver não será um desafio? Ver as novas possibilidades a cada amanhecer, não será um desafio? 
A cada amanhecer eu me renovo, e como disse Heráclito de Éfeso, "nós não podemos nunca entrar no mesmo rio, pois como as águas, nós mesmos já somos outros".

TUDO FLUI, NADA PERMANECE IGUAL.










quarta-feira, 31 de julho de 2019

AS ARMADILHAS CONTINUAM

Essa tal síndrome é uma armadilha. Quando eu acho que estou firme em cima da prancha, ela vem e tenta me dar um caldo. É impressionante o caminho que a adrenalina faz no meu corpo, ela vai chegando de mansinho e tomando conta de todo o meu peito, deixando tudo mais quente. Aí, nesse momento já sei que é a ansiedade chegando. Acho que ansiedade uma vez instalada realmente fica fazendo morada dentro da gente. E a única forma de conviver  com essa hóspede inconveniente, de maneira saudável, é respeitando os limites e conhecendo a fundo os hábitos de cada uma. Acredito que dá para fazer bodas de convivência, mas autoconhecimento para mim, é fundamental.  Agora já reconheço alguns sintomas, já é mais fácil identificar. Sabe o que eu faço? Respiro. A yoga me trouxe uma respiração chamada "respiração abdominal". É simples! basta inspirar enchendo o abdome de ar como se fosse um balão, depois expira soltando todo o ar. O tempo que eu levo prestando atenção no encher e esvaziar o abdome, meu foco muda de atenção e eu saio dos sintomas da ansiedade. Ufa!!! mais um vitória. 

Lembro sempre de algumas frases que minha psicanalista sempre diz: - viver não é fácil, ficar mal é fácil, é só ficar num cantinho reclamando;  A vida é feita de alegrias e tristezas e nem toda tristeza é depressão e nem toda ansiedade é doença.! Procuro sempre lembrar disso toda vez que a dona ansiedade vem me visitar sem ter sido convidada. 

Não acho que seja fácil trilhar o caminho da cura para a síndrome do pânico, para a depressão, para ansiedade. Mais acho que existem alguns atalhos que podem ser usados. Eu uso muito o atalho da criatividade. Criei uma marca de bijuterias chamada Feitoporgita. A partir daí comecei a trabalhar com o universo das cores, da criação, da criatividade. E, posso assegurar que não tem nada mais gratificante do que perceber que estou ampliando meus horizontes. Indo muito além do que eu achava que podia. Hoje, ainda não sei nadar, mas já tomo menos caldos. 

                               Então.... momento de respiração abdominal



terça-feira, 2 de julho de 2019

FUGINDO DAS CILADAS

Nessa nova etapa da minha vida, encarar a síndrome do pânico de frente foi a melhor opção, pois o medo nos paralisa. A síndrome do pânico nos amedronta. Mais eu tinha decidido que dessa vez ela não iria me dominar. Ela não ia ficar tirando onda comigo dessa vez...Dessa vez não. Voltei ao psiquiatra, voltei a medicação, continuei na terapia e busquei informações. Eu precisava saber "com quem ou que" eu estava lidando. 

Entrei em alguns grupos e comecei a ver que os sintomas eram os mesmos, até os mais "esquisitos". Então quando o meu corpo começava a trazer a tona alguns sintomas, aquilo já não me deixava em pânico. Eu já não corria mais para os hospitais achando que ia morrer. Nesses momentos eu buscava amigos que pudessem conversar comigo. E a medida em que eu ia falando, o meu olhar saía dos sintomas e eu ia melhorando. Então o que começava como crise de ansiedade não evoluía para o pânico. Assim, eu comecei a dar conta dela. Da ansiedade e da síndrome. Comecei a entender os caminhos. Sentia quando ela sorrateiramente ia chegando, aí além de usar o SOS (medicamento para ansiedade) eu usava o meu SMA (Socorro, Meus Amigos rsrsrs). E também usava como recurso as bijuterias. O universo criativo tira o olhar sobre nós mesmos e coloca o nosso olhar em outro foco. Isso ajuda muito.

Eu estava decidida a não cair mais na cilada da ansiedade, dos pensamentos acelerados e/ou qualquer outra coisa que pudesse me levar ao encontro dela (ansiedade). Então fiz yoga, meditação, exercícios físicos, religião, amigos, bijuterias, e....tudo o mais que pudesse contribuir para o meu bem estar. aprendi que a minha obrigação é ser FELIZ! E sou!! 

Tantos anos se passaram depois da primeira crise,e hoje me percebo muito melhor e mais feliz do que já fui um dia. Pode parecer balela, mas não é.
Sei que a síndrome do pânico é uma doença difícil, assim como todas as outras doenças da psique, da alma, mas sei também que existem muitos caminhos e escolhas para serem trilhados e para serem feitas. Eu escolhi vencer essa dura batalha e tive muita ajuda por esse caminho todo que trilhei. 

Acho que o mais difícil de tudo é a falta de informação e entendimento das pessoas que convivem com a gente. Vi nesse trajeto todo muitas amigas me olhando sem entender aquilo tudo que eu sentia, mas o mais gratificante nisso tudo foi perceber que mesmo sem entender e sem saberem o que fazer, estavam ali do meu lado. Correndo para a minha vida a todo instante que gritava por socorro. Dou graças a vida por todos os SMA que lancei e que tive retorno. 

Posso dizer com o coração cheio de amor por todos eles -  amigos e familiares que me abraçaram e me guiaram pelos hospitais que passei ao longo de todo esse doloroso trajeto, o meu muito obrigada. A minha eterna gratidão. O meu eterno amor. 

E hoje, me junto a todos eles para rir disso tudo. Rio mesmo. Aprendi a rir de mim mesma. Ah! mais acabou? Não!!! Ela, a ansiedade, continua convivendo comigo, só que agora de uma forma mais harmônica. Não existe mais a dominação. Ninguém domina ninguém. Chegamos a um acordo de convivência mútua.

Eu decidi ser feliz! E decidi também compartilhar a minha trajetória porque acho que sempre podemos ajudar de alguma forma com as nossas experiências. 

Transformei os meus medos em alegria, em cores, criatividade e bijuterias. Mais isso.... eu conto depois....














quarta-feira, 12 de junho de 2019

AS CORES QUE CURAM

A loja toda colorida me trouxe a sensação de estar dentro de um parque de diversões, mas ao mesmo tempo em que as cores me encantavam, a imensidão de peças me deixava boquiaberta. O que fazer? como fazer? Por onde começar?

Comecei pelas pequeninas miçanguinhas multicoloridas. Pensei... vou fazer um cordão. Escolhi as cores que eu queria, chamei o vendedor ( que trabalha nessa loja até hoje), e perguntei como eu poderia finalizar o cordão. Quais ferramentas seriam necessárias? Explicações dadas, comprei e levei para casa as minhas primeiras possibilidades. Comecei a "brincar de me curar". Aquele universo que eu desconhecia, o universo da criatividade, começou então a surgir diante de mim. De miçanga em miçanga, comecei a recriar minha história. Fiz colares e pulseiras. Um dia, uma amiga chegou em casa e me perguntou quanto custava o conjuntinho. Pensei, que legal! Ainda vou ganhar uns trocados fazendo isso? Ai, fechei meu primeiro negócio. Um conjunto de colar e pulseira para ela dar de presente. Depois, essa mesma amiga, que tinha 50 clientes (ela fazia massoterapia), me perguntou o que ela poderia dar de presentes para as clientes, no Natal. Pensei, pensei, e daí surgiu a ideia de fazer marcadores de livros feitos com miçangas. Uau!!! Minha segunda encomenda. Comecei a visitar a loja com mais frequência e a solicitar cada vez mais a ajuda do vendedor. Fui aprendendo assim a confeccionar diversas peças de bijuterias. Finalmente, eu estava adiante de um dom que eu desconhecia - trabalhos manuais, arte. Um dom que me traria mais tarde, completa realização pessoal. ( isso conto depois).

As cores sempre fizeram parte da minha vida. Sou uma pessoa colorida. Mais as cores que me curam tem uma matiz diferente. A cada dia diversas imagens de colares, pulseiras, e brincos passeavam pela minha mente sem que eu conseguisse  dar conta de tanta criatividade. Sou completamente apaixonada por ela - criatividade.  E, onde entra a síndrome do pânico?  A partir desse momento, com o auxílio da medicação, terapia e as cores que invadiam a minha vida ela se aquietou. Foi embora. Achei que ela não voltaria mais.

Mas, depois de 10 anos, ela voltou. Tive então a segunda crise de pânico. E aí, nesse momento tomei a decisão mais importante e libertadora da minha vida. Eu ia conhecer essa danada de perto e nunca mais a teria tão presente em minha vida. Voltei ao psiquiatra. Voltei a medicação. Mudei a terapia. E comecei a me olhar de forma mais atenta. O importante para mim nesse momento era me "descobrir". Percebi que eu precisava me conhecer e re-conhecer mais.

Com esse olhar mais atento, comecei a trilhar outros caminhos... O caminho da libertação dos meus medos....



quinta-feira, 30 de maio de 2019

O DIAGNÓSTICO

A falta de informação sobre as doenças que afligem a alma/mente leva as pessoas de um geral, a terem muitos preconceitos. Psiquiatria é das uma especialidades que passam por esse corredor - o corredor do preconceito. Só de falar "procura um psiquiatra" as pessoas já respondem de pronto: - Não!! isso é médico para maluco. 

Para mim, procurar um psiquiatra era a possibilidade de encontrar a cura para aquilo que tanto me afligia. Cheguei à consulta cheia de expectativas. Na verdade, nem sabia como era uma consulta com um psiquiatra. Contei tudo que passei durante 2 meses. Todas as angústias, aflições, medos, sintomas, e veio o diagnóstico - SÍNDROME DO PÂNICO. Segundo ele, a minha "versão" era leve e com 1 ano de medicamento eu já estaria equilibrada (segundo a minha vivência, a ansiedade, que leva ao pânico, não tem cura - ela permeia entre autoconhecimento e equilíbrio emocional).

Já diagnosticada, com a indicação de uma terapeuta, e a receita na mão, parti para cuidar de mim. Percebi naquele momento que eu precisava dar um outro olhar para minha vida. De repente, tudo ficou diferente. Eu era um ser mortal, que precisava lidar com alguns limites, e com um monte de diálogos que o meu corpo insistia em travar comigo. Ele não entendia que eu não queria aquele tipo de papo. Que eu queria continuar levando a vida que eu tinha antes. O que eu não sabia até então era que a partir daquele momento uma nova Gita, nascia dentro de mim. E quer saber? Gosto muito mais de mim hoje. Sabe porque? - Por que hoje me conheço muito mais. Conheço meus limites - entenda que quando falo limites, não estou me fechando num determinado espaço, com medo de ir a luta. Não! Muito pelo contrário, estou indo até onde me é confortável e saudável. Hoje, a minha prioridade é o meu bem estar. O limite é não ultrapassar a barreira entre o meu bem estar e o que as pessoas querem ou esperam que eu faça.

Não é fácil passar por essa doença, esteja ela numa versão, leve, moderada ou forte. Porque os sintomas são os mesmos, o que diferencia é como cada um os vivencia. O que faço aqui neste espaço é escrever sobre as minhas vivências e as coisas que aprendi sobre essa doença, porque acho que compartilhar conhecimento é possibilitar ao outro uma nova visão para as mesmas coisas.

Comecei a terapia com uma profissional, à qual dedico uma eterna gratidão. Ela me fez uma pergunta que trouxe para mim um grito de liberdade: - Você tem algum dom para trabalhos manuais? Eu disse, não. Até descer a escada rolante, da galeria aonde ficava o consultório dela e me deparar com uma gigantesca loja que vendia peças para montagem de bijuterias. Encontrei ali o meu parque de diversões....


quinta-feira, 23 de maio de 2019

A busca

"Tudo aquilo que o homem ignora, não existe para ele. Por isso, o universo de cada um, se resume ao tamanho do seu saber".  Albert Einstein


Refletindo sobre essa frase percebi o quão  importante foi buscar o autoconhecimento, para que o meu universo estivesse repleto de "Eus".  Consegui expandi. Nada como uma boa terapia para isso!!!

Buscar informações sobre a doença, conhecer e reconhecer os sintomas, perceber a importância da medicação (não a automedicação. Isso nem Pensar!!), fazer terapia, exercícios, Yoga, meditação, tudoooo. Foi isso que eu fiz. É isso que eu faço! Faço tudo o que possa me trazer bem-estar.


Se o meu universo se resume ao tamanho do meu saber,  eu quero saber muito.! Eu quero saber tudo que eu puder assimilar. Sem pressa, sem agonia, sem desespero.



terça-feira, 21 de maio de 2019

"SOB controle"

O principal objetivo deste blog é compartilhar experiências. Trazer à tona situações vividas a partir do momento em que me deparei com a primeira crise de pânico que tive na minha vida.
Não é um espaço para falar só de dores. É um espaço para falar também das conquistas, das alegrias,  e das cores.
Sim! É possível conviver com a síndrome do pânico e tirar proveito dela. É possível transformar as dores em aprendizado. É possível ver as cores que a vida nos traz a cada dia que amanhece.

A primeira crise aconteceu num final de semana de 2004. Tudo parecia "Sob controle". Almoço em família, risos e brincadeiras. Voltei para casa. Sentei na minha cadeira preferida e de repente... lá estava ela. Se apresentando para mim, de uma forma abrupta, sem nenhum aviso, e ...pronto!!! Corri para o hospital, (que graças a Deus, tinha ao lado da minha casa, na época) achando que estava infartando. Fui medicada, colocada em observação, e saí de lá horas depois sem saber o que tinha acontecido comigo. Lábios roxos, tremedeira, face pálida. Primeiro Rivotril da minha vida.

Voltei para casa com uma sensação de estranhamento. O que teria sido aquilo? A partir daí outras sensações estranhas foram acontecendo. Me vi saindo das conduções. Saindo dos shoppings. Dos supermercados. Muita gente junta começava a me incomodar.

Primeira descoberta -  Sou um ser mortal. Me descobri com medo da morte. E a partir desse momento comecei a fazer um itinerário que nunca tinha feito antes - Consultórios Médicos. A cada dor, a cada espinha, a cada formigamento, a cada taquicardia, eu corria para os médicos. Fazia exames. EU precisava saber que tudo estava bem, para aprender a lidar com um monte de sensações que o meu corpo começava a apresentar. E como ele apresentava sintomas!!! Meu corpo nunca falou tanto comigo como nesse primeiro ano em que convivi com tamanha algazarra dentro de mim! Foi assustador!

Até o dia em uma amiga me apresentou a tudo isso! - Gita, você está com síndrome do pânico. Minha filha teve esses mesmos sintomas que você. Conselho: Procura um psiquiatra. E, sem nenhum preconceito... Lá fui eu.